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Sobre como aprendi a viver sem você, Zé! | Crônica

4 de outubro de 2019


Olha pra mim Zé, olha bem pra mim, eu sobrevivi. É, eu sobrevivi sem você. E veja bem, to firme, forte, e levando a vida numa boa. 

Tudo bem que eu tive 365 dias, 14 horas, 25 minutos e 54 segundos para colocar tudo no eixo, e que ainda não tive coragem de jogar todas essas suas tralhas fora, mas já é um grande progresso. E quer saber o melhor de tudo isso Zé? Eu sei caminhar sem precisar te dar a mão. Matutei pra aprender. Tive quedas dolorosas, e cheguei a machucar tão feio a ponto de ter cicatrizes, mas me equilibro como ninguém. 

Assumo que levei alguns meses para deletar seu número do meu celular, sim eu deletei seu número, não precisei da ajuda de nenhuma especialista em deletar números de idiotas, eu mesma fiz esse grande favor para mim Zé, e olha só que grande merda, eu ainda sei ele de cor.

Evitei deixar você aparecer em meus sonhos, e a perambular meus pensamentos. Não frequento mais aqueles lugares, não bebo mais aquelas bebidas, parei de comer aquelas comidas, não assisto mais aqueles filmes e nem leio todos aqueles livros, aqueles que tinham um pouco de você, sabe?

Fiz um buraco Zé, te joguei dentro e com todas aquelas coisas sem sentido que você me mostrou nessa vida, e enterrei. Vivo. Sem dó e sem culpa. Enterrei pra ver se te matava de uma só vez. E matei. Me matei. Porque em mim Zé, tinha um tanto de você, um tanto que se eu te contasse, assustaria. Mas a verdade é que você nunca entendeu.

Confesso também que passei semanas e mais semanas sentindo sua falta, chorando por essa sua maldita ausência. Dias e mais dias tentando entender o vazio que eu virei, o vazio que você me fez virar. Se eu gritasse, escutaria meu próprio eco, e até acordaria uma vizinhança. No inicio desse desespero todo, eu sentia muito por você, mas era muito amor, agora eu ainda sinto muito, mas é muita pena Zé, pena porque jamais nessa sua vidinha de merda você vai se deparar com o amor outra vez, e se caso se deparar, vai se lembrar de mim e do quanto eu te amei. Não estou te jogando praga não Zé, longe de mim, é que tipinho feito você não merece "tipinhos" como eu

Ai você vai se arrepender por tudo que fez, vai bater aquela puta vontade de se embebedar e vai me ligar. Sabe por que Zé? Porque as garotas da sua agenda estão a procura de uma diversão, e não de ouvir um marmanjo feito você se lamentar pela vida que não deu certo. Porque de todas, eu fui a única que parei pra te escutar, mesmo que tenha sido o seu silêncio. E escutei. Como eu escutei.

Porque veja bem Zé, comigo você tinha tudo, e agora você não tem nada. Nem ninguém. Você não é ninguém. E eu poderia está rindo dessa sua cara de fracassado pelo resto da vida, e te agradecendo por ter me deixado, por ter me mostrado que me deixar ir embora era o primeiro passo para eu ser feliz, e olha só Zé, olha bem para mim, hoje eu sou feliz. Hoje eu sou tudo aquilo que você não conseguiu ser. Feliz. 

Esse tempo todo longe de você eu havia parado de escrever para ver se parava de sentir, para ver se parava de te procurar. Na verdade, não deu muito certo não, senti falta da escrita como uma criança sente de doces. Por isso voltei a escrever Zé, mas hoje não é mais sobre você, é sobre como eu aprendi a viver sem você.

Disclaimer: Embora esta crônica seja baseada em fatos reais, "Zé" é um personagem fictício, qualquer semelhança com a realidade é apenas mera coincidência, eu juro! ;)
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